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Sobre Fernando Scarazzatto Diretor do escritório brasileiro do Quality Assurance Institute (QAI), organização internacional promotora de programas de certificação profissional, cursos preparatórios e consultoria na área de qualidade de sistemas de informação. Formado em análise de sistemas pela Universidade São Francisco, já trabalhou nas mais diversas áreas da Tecnologia da Informação, tais como: requisitos, design, construção, banco de dados e gerenciamento de projetos, atuando desde a década de 80. Cursou pós-graduação em Melhoria do Processo de Software na Universidade Federal de Lavras e atua como especialista em teste de software e garantia da qualidade de sistemas de informação desde 1997, customizando e implantando metodologias de mercado em clientes de vários portes e segmentos. É especialista em ferramentas de gerenciamento e automação de processos de teste e de monitoração de software. Certificado desde 2006 como Certified Software Tester (CSTE), certificação profissional global administrada pelo Quality Assurance Institute (QAI). |
TEX> O que é o Quality Assurance Institute?
Scarazzatto> A Quality Assurance Institute é uma organização fundada em 1980 na Flórida (EUA) com o objetivo de oferecer liderança na melhoria da qualidade e produtividade além de soluções eficazes para o gerenciamento de processos na área de serviços de informação. Atualmente e formada por mais de 1.000 membros corporativos no mundo todo que apóiam na criação e manutenção de um importante corpo de conhecimento com processos considerados "O Estado da Arte".
É uma das primeiras organizações a reconhecer a necessidade da garantia da qualidade e a ter a visão dedicada exclusivamente aos profissionais da área de Tecnologia da Informação.
Atualmente a QAI possui escritórios espalhados no mundo todo em países como: Estados Unidos, Índia, Canadá, Emirados Árabes, África do Sul, China e Brasil, além de seus capítulos espalhados nos cinco continentes.
TEX> Os leitores gostariam de conhecer um pouco mais sobre Fernando Scarazzatto. Fale-nos um pouco mais sobre a sua trajetória profissional e o envolvimento com o QAI.
Scarazzatto> Sou formado em análise de sistemas pela Universidade São Francisco e atualmente dirijo as operações da Quality Assurance Institute no Brasil. Há mais de 20 anos em tecnologia da informação, trabalhando em diversas áreas como: requisitos, design, construção, testes, bancos de dados e gerencia de projetos. Sou pós-graduado em melhoria de processo de software pela Universidade Federal de Lavras e atuo como especialista em controle e garantia da qualidade de sistemas de informação desde 1997, auxiliando na estruturação, implantação e avaliação de metodologias de mercado em organizações dos mais diversos portes e segmentos. Coordeno também projetos de implantação e integração de ferramentas de produtividade para automação, gerenciamento e monitoração de processos e ambientes de fabricantes como IBM, HP e Compuware. Certifiquei-me recentemente como Certified Software Tester pela QAI USA e ITIL Foundation Professional pela Examination Institute for Information Science. Ingressei na QAI Brasil em junho de 2006 como o responsável por desenvolver suas operações no Brasil.
TEX> Quando se fala em QAI, normalmente pensamos na certificação Certified Software Tester (CSTE). Gostaríamos de conhecer um pouco mais sobre as demais certificações oferecidas pelo QAI (CSQA -Certified Software Quality Analyst e CSPM - Certified Software Project Manager).
Scarazzatto> Realmente. A Software Certifications, organização sem fins lucrativos administrada pela QAI, responsável pela criação e atualização da base de conhecimento de onde os exames são gerados, oferece três grupos distintos de certificação. As certificações fundamentais, para testadores e analistas de qualidade, as certificações para especialistas, onde estão localizadas as certificações CSTE, a CSQA e a CSPM, e as de nível gerencial, CMST e CMSQ.
As certificações oferecidas pela QAI para o mercado brasileiro até o momento são:
A CSTE (Certified Software Tester): demonstra o nível de conhecimento e habilidades que o profissional possui nos princípios, conceitos e práticas do Teste de Software. As pessoas com a habilitação CSTE conquistam o papel de conselheiros da alta gerência, auxiliam outros indivíduos na melhoria e evolução dos programas de teste de software da organização, motivam o pessoal responsável pelo teste de software a manter suas habilidades sempre atualizadas e são vistos como agentes de mudanças, alguém que possa mudar a cultura e os hábitos de trabalho dos indivíduos para fazer com que a qualidade no teste de software aconteça.
A CSQA (Certified Software Quality Analyst): demonstra o nível de conhecimento e habilidades que o profissional possui na área de garantia da qualidade de sistemas de informação. As pessoas com a habilitação CSQA contribuem tanto para os papéis de garantia da qualidade como para controle da qualidade, grupos de engenharia de processos, bem como para a gerência de processos com base em indicadores e controles estatísticos.
Estas certificações foram projetadas para testar as habilidades de profissionais que atuam em uma das áreas cobertas pelo corpo comum de conhecimento relacionado ao assunto desejado (CBOK), material base para estudo, e são direcionadas aos profissionais que tenham experiência significativa e ampla para dominar os conceitos básicos desse assunto.
A CSPM (Certified Software Project Manager): Avalia as habilidades do indivíduo na aplicação dos conhecimentos em gerenciamento de projetos de software na prática.
Adquirir esta certificação indica o nível profissional de conhecimento nos conceitos e práticas do gerenciamento de projetos de software em tecnologia da informação
O programa CSPM fornece às organizações de TI a oportunidade para padronizar e institucionalizar o entendimento dos conceitos do gerenciamento de projetos de software, ferramentas e técnicas.
TEX> Como você vê a "concorrência" no Brasil entre o QAI e o BSTQB (Brazilian Software Testing Qualifications Board) e a ALATS (Associação Latino Americana de Teste de Software)?
Scarazzatto> Não vejo isso como uma concorrência, até mesmo pelos diferentes objetivos, níveis de dificuldade e público alvo de cada uma das certificações oferecidas por estas organizações. A palavra "concorrência" muitas vezes passa a impressão de que as organizações certificadoras disputam o "dinheiro" do mercado de TI gerando uma imagem meramente comercial desses títulos. Fico feliz que essas três certificações tenham entrado no mercado brasileiro conquistando, cada uma o seu espaço. Lembrando que as certificações CSTE, CSQA e CSPM da QAI ofertadas atualmente no Brasil se posicionam em um patamar com nível de dificuldade maior, pois são direcionadas especialmente aos especialistas de cada área de aplicação, enquanto que as outras citadas nesta entrevistas se posicionam em um nível mais fundamental e não exigem do candidato a confirmação de experiência na aplicação dos conceitos através de questões dissertativas.
Quem ganha com isso são os profissionais e o mercado de TI tendo tantas opções boas para todos os perfis.
Aproveito a oportunidade para reforçar aos profissionais que estejam interessados em certificações como estas, que sempre se questionem sobre os reais motivos que o levam a buscar esses títulos, e para onde querem direcionar as suas carreiras sempre pensando no futuro, pois para muitos, o interesse em se manter com reconhecimento internacional é imprescindível, visto a grande demanda por serviços nesta área no exterior, sendo que para outros, uma certificação reconhecida somente no Brasil, já seria suficiente.
TEX> Quais são as suas percepções em relação à aceitação e penetração das certificações do QAI no cenário brasileiro? Quais são os números?
Scarazzatto> Fizemos alguns estudos recentemente comparando diversos fatores de cada uma das três certificações mais importantes do país e notamos que a maior quantidade de certificados está naquelas em que todo material de estudo está em português e que são muito mais baratas do que as da QAI. Os profissionais que nos procuram, freqüentemente estão em níveis gerenciais, dominam o idioma inglês e, na maioria das vezes, são patrocinados pelas organizações para quais trabalham, que em muitos casos são multinacionais que adotaram a QAI como organização certificadora em outros países do mundo.
Hoje a QAI já certificou 47 profissionais no Brasil de empresas como TCS, Dell, HP, Stefanini, CPM Braxis, UOL, Organizações Globo e TAM dentre outras, e estamos com expectativas de dobrarmos esse número nos próximos 12 meses.
TEX> Como as práticas ensinadas nas certificações CSTE/CSQA convergem ou se relacionam com os processos de Validação e Verificação propostos pelo CMMI ou MPS.BR?
Scarazzatto> Perfeitamente. Não só se relacionam como também se aprofundam no assunto, dando maiores detalhes do "Como" fazer determinadas atividades. Além disso, as práticas ensinadas na certificação CSTE não ficam limitadas a Verificação e Validação, mas também em áreas como: Gerência de Mudanças, gerência de configuração e versão, gerenciamento e controle de projetos, análise e medição, gerência de requisitos e incidentes, dentre outras. A CSQA por sua vez, não se limita ao modelo CMMi. Ilustra também modelos como ISO9001, ISO12207, ISO15504, NIST e MBNQA
TEX> Um tema recorrente na atualidade para qualquer profissional de teste de software é a automação de testes. Como as certificações do QAI preparam o profissional para lidar com essa nova demanda do mercado sob o ponto de vista de fundamentação teórica e boas práticas?
Scarazzatto> Os exames da QAI cobram do indivíduo um conhecimento sobre ferramentas utilizadas no mercado para melhoria e produtividade do teste de software. Essa questão é levantada durante os exames para certificar que o profissional está sempre atualizado em relação às novas tecnologias e novas ferramentas. Em nenhum momento entramos em considerações técnicas sobre cada uma delas, pois o nível de habilidade de cada indivíduo poderia ser medido através de outras certificações mais técnicas, tais como HP e IBM.
O curso preparatório e o corpo de conhecimento trazem informações básicas de ferramentas divididas em categorias como: gerência de requisitos, gerência de casos de teste, gerência de incidentes, gerência da execução dos ciclos de teste, automação de testes funcionais e de carga.
TEX> Quais são os livros que você recomendaria para os profissionais que tem interesse de ingressar na área de testes de software?
Scarazzatto> Alguns livros que já li, e que me ajudaram muito e eu indicaria são:
Beck, Kent. Test Driven Development: By Example. Addison-Wesley Professional, First Edition, 2002.
Beizer, Boris. Black-Box Testing: Techniques for Functional Testing of Software and Systems. John Wiley & Sons, Inc., 1995.
Black, Rex. Managing the Testing Process: Practical Tools and Techniques for Managing
Hardware and Software Testing. John Wiley & Sons, Inc., Second Edition, 2002.
Copeland, Lee. A Practitioner's Guide to Software Test Design. Artech House Publishers, 2003.
Craig, Rick D. Systematic Software Testing. Artech House Computer Library, 2003.
Dustin, Elfriede. Automated Software Testing: Introduction, Management, and Performance. Addison-Wesley, 1999.
Dustin, Elfriede, et al. Quality Web Systems: Performance, Security, and Usability. Addison-Wesley, First Edition, 2001.
Hetzel, Bill. The Complete Guide to Software Testing. John Wiley & Sons, Inc., Second Edition, 1993.
Kaner, Cem, et al. Lessons Learned in Software Testing. John Wiley & Sons, Inc., First Edition, 2001.
Kit, Edward. Software Testing in the Real World. Addison-Wesley, First Edition, 1995.
Lewis, William E. Software Testing and Continuous Quality Improvement. Auerbach Publishers, Second Edition, 2000.
Li, Kanglin. Effective Software Test Automation: Developing an Automated Software Testing Tool. Sybex Inc., First Edition, 2004.
Marick, Brian. Craft of Software Testing: Subsystems Testing Including Object-Based and Object-Oriented Testing. Prentice Hall, 1994.
Mosley, Daniel J. and Bruce A. Posey. Just Enough Software Test Automation. Prentice Hall, First Edition, 2002.
Nguyen, Hung Q. Testing Applications on the Web: Test Planning for Internet-Based Systems. John Wiley & Sons, Inc., First Edition, 2000.
Patton, Ron. Software Testing. Sams, 2000.
Perry, William E. Effective Methods for Software Testing, John Wiley & Sons, Inc., 2000.
Perry, William E. and Randall W. Rice. Surviving the Top Ten Challenges of Software Testing: A People-Oriented Approach. Dorset House Publishing Company, Inc., 1997.
Pham, Hoang. Software Reliability and Testing. IEEE Computer Society Press, First Edition, 1995.